Charles Babbage e Ada Augusta

 

    A origem da ideia de programar uma máquina vem da necessidade de que as máquinas de tecer produzissem padrões de cores diferentes. Assim, no século XVIII foi criada uma forma de representar os padrões em cartões de papel perfurado, que eram tratados manualmente. Em 1801, Joseph Marie Jacquard (1752-1834) inventa um tear mecânico, com uma leitora automática de cartões.

 

 

Tear Mecânico de Jacquard

    A ideia de Jacquard atravessou o Canal da Mancha, onde inspirou Charles Babbage (1792-1871), um professor de matemática de Cambridge, a desenvolver uma máquina de "tecer números", uma máquina de calcular onde a forma de calcular pudesse ser controlada por cartões.

Charles Babbage, matemático inglês

    Foi com Charles Babbage que o computador moderno começou a ganhar forma, através do seu trabalho no engenho analítico. O equipamento, apesar de nunca ter sido construído com sucesso, possuía todas as funcionalidades do computador moderno. Foi descrito originalmente em 1837, mais de um século antes que qualquer equipamento do género tivesse sido construído com sucesso. O grande diferencial do sistema de Babbage era o facto que o seu dispositivo foi projectado para ser programável, item imprescindível para qualquer computador moderno.

    Tudo começou com a tentativa de desenvolver uma máquina capaz de calcular polinómios por meio de diferenças, o calculador diferencial. Enquanto projectava o seu calculador diferencial, a ideia de Jacquard fez com que Babbage imaginasse uma nova e mais complexa máquina, o calculador analítico.

    O projecto, totalmente mecânico, era composto de uma memória, um engenho central, engrenagens e alavancas usadas para a transferência de dados da memória para o engenho central e dispositivos para entrada e saída de dados. O calculador utilizaria cartões perfurados e seria automático.

    A sua parte principal seria um conjunto de rodas dentadas, o moinho, formando uma máquina de somar com precisão de cinquenta dígitos. As instruções seriam lidas de cartões perfurados. Os cartões seriam lidos num dispositivo de entrada e armazenados, para futuras referências, numa base de mil registadores. Cada um dos registadores seria capaz de armazenar um número de cinquenta dígitos, que poderiam ser colocados lá por meio de cartões a partir do resultado de um dos cálculos do moinho.

    Além disso tudo, Babbage imaginou a primeira máquina de impressão, que imprimiria os resultados dos cálculos, contidos nos registadores. Babbage conseguiu, durante algum tempo, fundos para sua pesquisa, porém não conseguiu completar sua máquina no tempo prometido e não recebeu mais dinheiro.

Charles Babbage e Ada Augusta

    Em parceria com Charles Babbage, Ada Augusta (1815-1852), filha do poeta Lord Byron, era matemática amadora entusiasta.

    Ela tornou-se a pioneira da lógica de programação, escrevendo séries de instruções para o calculador analítico.

Ada Augusta

    Ada foi a primeira programadora da história, projectando e explicando, a pedido de Babbage, programas para a máquina inexistente. Ada inventou os conceitos de subrotina, uma sequência de instruções que pode ser usada várias vezes, de loop, uma instrução que permite a repetição de uma sequência de cartões, e do salto condicional, que permite saltar algum cartão caso uma condição seja satisfeita.

    Babbage teve muitas dificuldades com a tecnologia da época, que era inadequada para se construir componentes mecânicos com a precisão necessária. Com a suspensão do financiamento por parte do governo britânico, Babbage e Ada utilizaram a fortuna da família Byron até a falência, sem que pudessem concluir o projecto, e assim o calculador analítico nunca foi construído.

Máquina de Charles Babbage

    Ada Lovelace e Charles Babbage estavam avançados demais para o seu tempo, tanto que até a década de 1940, nada se inventou parecido com seu computador analítico.